“When they thought I was running away, I was merely gathering speed, my friend”
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Dia 11-06-2009 Quinta-Feira
Hoje o dia é quente e sereno, são 11:30 da manhã e encontramo-nos a caminho da casa, é uma viagem de meia hora cheia de boa disposição, com o cheiro do passado que acolhe aquela estrada. Por ali passam pessoas sem modas, que transpiram nos seus passos sem pressa e com remanso. Chegados ao covil, Jorri já se encontra por lá inquieto nas arrumações e limpezas necessárias ao conforto da alcateia, na sala do cenário discutem-se ideias e trocam-se pensamentos elaborados e eu dou uma vista de olhos num Harmonium que se distingue na sala de ensaio, “que som encantador !!!” . O cheiro a churrasco e especiarias invade o nosso apetite e juntamo-nos todos na cozinha para uma boa refeição, o picante está no ponto (João, é assim mesmo!). Seguido de um café, acompanhamos uma abonada bagaceira que nos deu vaidade para comentar o trabalho ali exercido. No decorrer da tarde, dedico o meu tempo a “The Hill Sessions”. A Susana regista o som do seu violino, executando um tom doce/melodioso com um vibrato arrepiante que me deixa iluminado e com poucas palavras. O comboio passa lá fora e os cães acompanham o seu ritmo, ralhando a sua pressa. Por entre a janela, a noite visita-nos o tempo passa a correr….
(clique nas fotos para ampliar)
Há um lobo em cada um de nós; ou pelo menos um segredo que pertence apenas a seu dono.
Em cada concerto é como se fôramos uno com os olhos que nos esperavam e largássemos dos segredos as nossas mãos.
É o tempo suspenso que habita entre acordes e na cumplicidade das palavras. Quando nos separamos fica sempre parte de nós para trás e que apenas iremos conseguir reencontrar um pouco mais adiante. Acho que vamos reforçando uns laços e criando outros novos – e assim vamos ficando enlaçados com meio mundo.
Voltamos sempre com uma mão cheia de imagens:
- Os soaked lamb a tocar na “Geraldine” (Gito, quando chegares a terras germânicas, envia endereço para que o Jack não se perca até ti).
- O Antonio Pires à porta do Alegro em Alfragide numa conversa da Petra, que agrilhoou a família a 2 musicas nossas .
- O Zé e o Len que chegaram, como de costume, atrasados, mas a horas..
- A Sardinha em Paço de arcos que foi espancada da brasa até ao meu prato.
- O sono que vem por vezes cedo de mais, excepto para o Jorri
- O johnny, o Claudio, a Eduarda, o Luis e o António Coelho no calor de Cascais.
Vamos embora de alma cheia e de segredos ainda mais pequenos
JoaoRui
Lisboa, Lisboa (Alfragide and Cascais)
There is a wolf in each of us, or at least one secret that belongs only to its owner.
In each concert it’s as if we were one with the eyes that expected us and we took our hands off our secrets.
It is the suspended time between chords and the complicity of the words. When we part we always leave a part of us behind that we will only find later in time. I think we strengthen some ties and create some new ones - and so we are being linked with half a world.
We always have a handful of images:
- The soaked lamb playing in the "Geraldine" (Gito, when you get to Germanic lands, send the address so Jack can find you).
- Antonio Pires at the door of Dolce in Alfragide in a conversation about Petra, who imprisoned his the family to 2 of our songs.
- Ze and Len who arrived late, as usual, but in time...
- The Sardine in Paço tde Arcos that was beaten from the fire to my plate.
- Sleep which is sometimes really quick, except for Jorri
- Johnny, Claudio, Eduarda, Luis and Antonio in the heat of Cascais.
We go with a filled soul and even smaller secrets…
Este foi um fim-de-semana de amigos; a direcção foi a norte, ao albergue do nosso amigo Jaime, onde nos esperava debaixo de uma chuva teimosa.
O lobo foi recebido com uma iguaria secreta do Jaime: uma receita especial oriunda de experiencias deste nativo: é uma bebida chamada “Beco”, tal como o albergue: oriunda do mel e outros segredos insuspeitos.
Já não me recordo se durante o concerto chovia como à tarde – com algum vagar o beco encheu-se de pessoas que se aglomeraram num espaço não maior que o que o nosso olhar abarcava.
Foi assim que lançámos o lobo à multidão… sequioso.
Foram cravadas flores nas paredes e velas em redor, mas desta vez não pudemos contar com o nosso lobo da neve (marco silva) que se ausentou para as bandas da Beira.
Depois destas festividades ainda houve tempo para passear a noite de Braga, para ouvir os sinos de outros tempos e as ruas apinhadas de memórias que agora também trazemos nos bolsos.
Domingo rumámos a Matosinhos à Fnac do Norteshopping onde reencontrámos 3 boas amigas e uma família que também acolheu o lobo no seu seio e se tornou alcateia.
Estes dias são tão curtos, mas a estrada é tão longa…
Um dia destes trazemos todos os membros desta alcateia de volta para o nosso covil…
Agora que o sono se apodera dos músculos, regressamos a casa…
JoaoRui
Porto & Braga – The “Beco”
This was a weekend of friends; the direction was north, to the shelter of our friend Jaime, where he was expecting us under a stubborn rain.
The wolf was received with a cheer of Jaime’s secret sweet: a special recipe derived from his native experiences: it is a drink called "Beco" as the place itself: made of honey and other unsuspected secrets.
I no longer remember whether it was raining during the concert as it was in the afternoon. Pouring… - slowly, the “Beco” was filled of people who crowded into a space not larger than what our eyes could see. It was like this that we sent the wolf to the crowd... thirsty.
Flowers were sown to the walls and candles were lit all around, but this time we could not count with our snow wolf (Marco Silva) who had to part to the Beira.
After these festivities we still had time to walk the night of Braga, to hear the bells of other times and the streets crowded with memories that we now bring in our pockets.
Sunday we left to the Fnac of Matosinhos where we met again 3 of our good friends and a family that also received the wolf in their midst and became part of the pack too.
These days are so short, but the road is so long..
One of these days we will bring all members of the pack back to our den ...
Now that sleep seizes our muscles we return home...
(by João Marçal)

Regressou a chuva para acalmar a poeira da estrada destas últimas semanas de sol. Voltámos para o litoral, mas desta vez para perto de casa; da casa azul, a única que nos ouve respirar e que melhor nos desmascara o palpitar das veias. "Cantigas de Amigo"... O salão permaneceu vazio tempo demais, mas sorriso após sorriso que foi entrando através da porta, o espaço cedo faltou para tantos ouvidos. E se alguns já conheciamos, outros foram estranhos que nos receberam como se foramos parte deles. Então, acenderam velas em castiçais em redor do palco e nós nada fizemos senão libertar o lobo da nossa pele. Mas com sempre, estes passos de magia são tão velozes que duram apenas segundos, talvez menos. São memória antes de serem vida. E esta estranha e velha amiga, é sempre mais demorada. "...and it's a slow walk, back into the night..."
JoaoRui.
To the seaside
the rain has returned to calm down the dust of the road of these last days of sun. We went back to the seaside, but this time, closer from home; our blue house, the one that can better unmask the pulse our veins. "cantigas de amigo"... The saloon remained empty for too long, but smile after smile that was coming through the door, soon there wasn't enough space for so many ears. And if some we knew, others were strangers that received us as if we were part of them. Then, they lit candles around the stage and we did nothing but releasing the wolf from our skin. But like always, these magic steps are always too fast and go by in just seconds, maybe less. They are memory before turning to life. And this strange old friend is always longer. "... And it's a slow walk, back into the night..."
É tão curta a minha ausência do delírio, que sempre que retorno ao tempo normal tudo é vaidade e tempo que passa. Estes últimos dias rumámos ao Sul, sob o véu de uma noite quente e auspícios de luz solar. Não consigo evitar as mudanças que as ondas operam em mim.. tenho sempre vontade de me ir embora, de ir por cima e por baixo delas para diante, para diante, para lado nenhum, para qualquer lado. Na presença desse magnífico destino desconheço sempre os meus pés que insistem em ser castelos de areia ou gatos assustados. Os meus olhos já partiram e aqui não pertencem mais. E não o é apenas desta vez. É-o sempre, sempre…
O vento soprou doce estes dias. O aroma que vem dos nossos silêncios misturou-se com o fôlego das nossas mãos em cada música que cantámos. Percorremos ruas, avenidas e ruelas de emoções; trauteámos e zumbimos em todo o lado onde o não tínhamos ainda feito. E se algum lugar ficou que não nos ouviu, foi porque não estava a escutar – até nos jardins em flor das memórias que não permito render ao esquecimento, há papoilas que não abrem mas que um dia foram flor e parte de mim.
Estranhos germânicos que acolheram o nosso delírio receberam-nos com dádivas de vinho e sorrisos inesperados: mais um canteiro que vou cuidar e não esquecer. Tal como os olhos dos carros que rodavam ao nosso lado…botões de rosa.
Agora que tudo já se vai diluindo no vento dos dias, vou entregando aos canteiros lembranças vagas… o feliz encontro com o Sam Alone na Fnac do Algarve; a viagem de 8 horas que começou por ser de 3h e depois passou a 6h, mas afinal foi de 8h; a brigada de trânsito que necessitou da nossa tradução saxónica para uma rapariga que queria voltar à força para Lisboa, em contra-mão e a pé, na auto-estrada…
Daqui a nada é tudo pó… não fora o vídeo era tudo invenção minha.
O lobo foi conhecer o sul e agradou-lhe o sol. Apaixonou-se pelo mar. Ele era há muito esperado…
JoaoRui
At the border of South
So short is my absence of the delirium, that when returning to the normal time, all is vanity and passing time. These days we went south, under the veil of a hot night and the auspices of sunlight. I can not avoid the changes that the waves operate in me .. I am always willing to go, to go over and under them; onward, onward, to anywhere, to nowhere. In the presence of this magnificent destiny I never recognize my feet, that insist on being castles of sand or sacred cats. My eyes have left and to this place they do not belong anymore. And it is not this one time. It is always, always ...
The wind blew sweet these days. The scent that comes from our silence mixed with the breath of our hands in every song we sang. We Traveled streets, avenues and alleys of emotions; we hummed and sung everywhere where we had not yet done so. And if any place did not hear it was because it was not listening – even in the blossomed gardens of the memories that I do not allow surrendering to oblivion, there are poppy that do not open but that one day were flower and part of me.
Strange Germanic that welcomed our delirium received us with gifts of wine and unexpected smiles: one more gantry that I will look after and and remember. Just as the eyes of the cars that rolled by our side ... rosebuds.
Now that everything is diluting in the wind of days, I deliver the vague memories to the gantries … the happy encounter with Sam Alone at Fnac Algarve; the journey of 8 hours that began as 3h and then went to 6h, but in the end was of 8h; the traffic squad who needed our saxon translation for a girl who wanted to force her way back to Lisbon, on foot and on the wrong side of the motorway…
In a moment all will be dust... if it wasn’t for the video all would be my invention.
The wolf went to meet the south and the sun pleased him. He fell in love with the sea. He was long expected.
JoaoRui