dezembro 15, 2008

18º dia: guitarras & guitarras

Hoje foi dia de electricidade no estúdio. Tudo virado ao contrário. Para começar o Jorri ficou a dormir quando eu saí de casa (claro que em verdade ele não dorme. Alegadamente fecha os olhos para se concentrar… enfim… para ganhar balanço…), o que é sem dúvida estranho. E depois foi mesmo dia de eléctricas e slides. O Miro e eu viemos desanimados com as eléctricas ontem, mas hoje começámos cedo a mandar a casa abaixo. Começar do zero e abrir caminho pelo pinhal dentro. Eu a rasgar acordes e o Miro a apontar tudo num caderno. Lindo… Ainda deu para dar uma perninha no banjo. E se hoje estive com uma de 40 anos ao colo, depois de amanhã vou estar com uma de 60… venha a lap steel para acabar finalmente com as cordas do álbum… hum… ou talvez não, já que ainda falta um pormenor de outro bicho de cordas.

JoaoRui

Today was a day of electricity in the studio. Everything turned upside down. For starters Jorri stayed asleep when I left home, which was weird (of course that in truth he does not sleep. Allegedly he just closes his eyes to concentrate… oh well, to gather speed). And then it was really a day for electrics and slides. Miro and I came a bit disappointed yesterday with some of those, but today we began burning the house down real soon. Starting from scratch and carving our way through the pines. Me, tearing chords apart and Miro, pointing everything down in a notebook. Beautiful…. There was still time to add up some banjo. And if today i was with a 40 year old one, the day after tomorrow I’ll be with one of 60… let the lap steel come so that i can finally end the strings in the album. Or maybe not, since there is still one other detail with a stringed animal.

17º: guitarras e violino

Finalmente concluídos os violinos. Que posso eu dizer? Dói-me o braço esquerdo, o pescoço e as costas na zona das omoplatas. Ehehehe do que eu preciso mesmo é de um SPA (e não falo da sociedade portuguesa de autores) :P oh well … para a semana voltarei ao covil para gravar aquilo a que gosto de chamar as minhas tralhas. Hoje partilhei o estúdio com o João Rui, que gravou guitarras, banjo e bandolim. Durante a tarde tivemos falhas de electricidade, mas o incêndio não parou nas cordas dedilhadas. Acho que ainda não foi aqui comentado o facto de, à porta do estúdio, estar “estacionado” um barco!! É verdade, um barco para nos lembrar que o testemunho do “letters from the boatman” está a ser passado. Neste puzzle tudo se completa e faz sentido! Oh row row row ;)

Susana


The violins are finally over. What can I say? My left arm hurts and my neck and my back on the area of the shoulder blades. Ehehehe, what I really need is a SPA (And I’m not talking about the Portuguese Society of Authors) :P enfim… Next week I’ll return to the lair, to record what I like to call my junk. Today I shared the studio with João Rui, who was recording guitars, banjo and mandolin. During the afternoon we had power failure, but the fire didn’t stop on the finger-picked strings. I think that it hasn’t already been commented here, that at the door of the studio a boat is “parked”. A Boat!! It’s true, a boat to remind us that the testimony of the “letters from the boatman” is being passed on. In this puzzle everything completes itself and is meaningful! Oh Row

16º dia: violino e guitarras #N


Os dias já são tantos que ando meio cego. Aliás, já há 6 dias pelo menos. A continuar assim vou bater contra o meu porto de abrigo. Depois da minha ausência durante o dia, durante uns dias, para tratar de coisas, ainda houve tempo aí pelo meio para vir conquistar crédito na gravação das percussões (isto deve ter sido lá pelo dia 14, vulgo 11Dez) e impregnar a fita com estalos dos dedos. Hoje foi dia de quase finalizar as guitarras ou, enfim, coisas com cordas. Mais um dia e fica tudo fancy pants.

João Rui
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The days are so many that I’ve been half blind. In fact, at least for six days now. Keeping like this I will crash against my safe harbor. After my absence during daytime, to take care of things, there was still time to come and gain some credit in the percussions (this must have been by day 14, or 11Dec) and impregnate the tape with some finger snaps. Today was the day to almost finish the guitars or, well, things with strings. Another day and everything will be fancy pants.

15º dia : percussões e violino

Apesar de não ser propriamente a primeira vez que gravo em estúdio, foi sem dúvida a primeira vez que fui assaltada pelos nervos e por uma estranha ansiedade. Os temas estão estudados, alguns até já foram testados ao vivo, ainda assim os dedos pareciam estar em território desconhecido. De um lado o Miro a querer arrancar-me a alma, do outro a hi-tec a tornar visível cada imperfeição, cada hesitação, cada ambição de nota perfeita. A manhã foi do Jorri e das percussões, a nossa aranha tecedeira de sons, o nosso malabarista dos mil e um instrumentos! Ao todo foram gravados seis temas com violino, não correu mal para uma só tarde. Amanhã serão gravados outros tantos, vou guardando para o fim aqueles que me exigem uma maior entrega. Ui, sou demasiado emotiva nestes assuntos! :) Curioso, estas canções foram escritas em suor no Verão, cristalizadas no rigor do Inverno, serão partilhadas só daqui a alguns meses, na Primavera, mas ver os temas crescer, ganharem cor e identidade tem sido já a nossa Primavera, ainda que enrolados em cachecóis e de luvas nos dedos.

Susana


Although it’s really not the first time i record in a studio, it was without a doubt the first time that i was jumped with nerves and a strange anxiety. The themes are studied and some have been tested live, but still, my fingers seemed as though as if they were in uncharted territories. From one side, Miro was trying to rip off my soul, from the other; the hi-tech was turning visible every imperfection, every hesitation, and every ambition of the perfect note. The morning was Jorri’s and percussions; our spider weaver of sounds, our juggler of the thousand and one instruments! At all were recorded six themes with the violin – not too bad for a single afternoon. Tomorrow will be recorded just so many; I’m saving for last the ones that demand a higher commitment. Wow, I’m too emotional in these matters! :) Curious: these songs were written in the summer’s sweat, crystallized in the winter’s cold and will only be shared some months from now, in the spring. But to see them growing, gaining color and identity has been our spring, even if rolled up in scarves and with gloves in our fingers.

14º dia: Mil e Uma Histórias de Sons


O dia foi dedicado em exclusivo à experimentação. Depois de desvendados todos os sons que estavam dentro da caixa de Pandora, partimos à descoberta. Acabámos por descobrir que dentro estúdio, que agora é nosso, existem mil e um sons possíveis, basta ter imaginação, por isso acabamos por captar sons de caixas de microfones, de cadeiras, de tripés, de mesas e até da “casa” do nosso amigo Jack. Acima de tudo foi um dia divertido, passou tão rápido que até o coelho da Alice chegou atrasado.
No final do dia, quando regressei para o aconchego do nosso refúgio, a cantarolar as melodias e a bater o pé ao ritmo, abri a porta e veio uma aragem fria… brre... que arrepio, mas depois não ouvi vozes, não cheirava ao jantar, estava vazio. Mas como alguém tem que ficar de guarda, entrei, vesti o camuflado e passei a noite na guarita.

Jorri


The day was dedicated, exclusively to experimentation. After all the sounds inside Pandora’s Box were unveiled, we left to the adventured. We found out that inside the studio, that is now ours, there are a thousand and one possible sounds. One requires but imagination. So we ended up capturing the sounds of microphone boxes, chairs, tripods, tables and even from the “house” of our friend jack. Above all it was a funny day – it went by so quick that even Alice’s rabbit came late.
At the end of the day, when I returned to the comfort of our shelter, humming the melodies and beating my foot to the rhythm, I opened up the door and a cold draft came from inside… brrr.. What a shiver. But then, I did not hear voices and there was no scent of dinner.. The house was empty. But since someone has to keep guard, I went in, dressed my camouflage jacket and spent the night in the bunker.

13º dia: Contra (Tempo) Baixo


Após o merecido dia de descanso, eu e o Miro voltamos ao covil, para atacar o contrabaixo, mas este, ferido pelo abandono, não teve as forças suficientes para cantar. E depois de o aconchegarmos, abrimos a mala das mil tralhas, como quem diz das pandeiretas, chakers, sinos, adufes, guizos e muitos outros, alguns até de quem nem sei o nome. O resto do dia foi dedicado a dar ritmos às músicas, ora saltitantes, ora galopantes. Passado pouco tempo, estávamos enfeitiçados pelas mil e uma combinações de sons que estávamos a ouvir, até que fomos acordados, não pelo sapo, nem pelo príncipe encantado, mas pelo João, que mais parecia o coelho da Alice no país das maravilhas, tal era a pressa. Ainda deixou o som das impressões digitais na música, antes de desaparecer apressado. Convém lembrar que estamos a trabalhar num covil, local onde os coelhos só são bem-vindos dentro da panela.
No final do dia, a Ni e a Pantera apareceram a pedir abrigo e acabamos a devorar hambúrgueres e cachorros. Para a próxima o coelho não escapa!
Só uma palavra de carinho para o meu mais recente companheiro, descansa bem, porque para a semana temos novo dueto.

Jorri


After the well deserved day’s rest, Me and Miro returned to the lair, to attack the upright bass, but him, hurt with the abandonment , did not have enough strength to sing. After we tucked him, we opened the suitcase of the thousand junks, which is the same as tambourines, shakers, bells, adufes, rattles and many others, some of which I don’t even know their names. The rest of the day was dedicated to give rhythms to the songs, either jumpy or trotting. After a short while, we were bewitched by the thousands of combinations of sounds we were hearing, until we were woke not by the frog nor the charming prince, but byt Joao, that seemed more like Alice in wonderland’s rabbit, such was his hurry. He still left the sound of his fingerprints in the music before he quickly disappeared. One must remind that we’re working in a lair where rabbits are only welcome inside the pan.
At the end of the day, Ni and Panther came asking for shelter and we ended up devouring hamburgers and hot dogs. Next time the rabbit will not escape!
Just a caring word for my most recent partner: rest well, for next week we will have another duet.

dezembro 10, 2008

12º dia: Interrupção Temporária

© Sofia Silva, Miro Vaz, Dezembro 2008

Dia de folga. Folga para o corpo. Folga para algumas horas de sono a mais (no meu caso e do Jorri). Folga para estar de pijama até esta hora…
A cabeça e o subconsciente continuam a magicar ideias, a pensar em sons e insistem em não deixar que, por alguns segundos, o cantarolar da Becky deixe de ecoar na minha mente. Será que ando a ficar maluco?
Os temas começam a ter “chão” e personalidade própria, uns nesta fase mais que outros. A carta do barqueiro chegou a bom porto. Vamos ver quão grande será este lobo e se vai ter força para deitar a casa abaixo. Acredito que sim.
Andamos numa de signos e astrologia e assim sendo para parafrasear alguém que é de gémeos: “Eu sou o maior!” Ou será que é o meu alter-ego o maior e que ando a sentir a falta do amigo Jackie?

Lala lala lalalala

PS: Prometo no futuro deixar um post para os mais interessados em gravações/misturas, com o que fizemos, usámos, etc…

MiroVaz


Temporary interruption

Today is day off. Time off for the body. Time off for some extra hours of sleep (at least for me and Jorri). Time off for wearing my pyjamas at this hour…
My head and subconscious keep on working on some ideas, thinking about sounds. Both insist on keeping Becky’s voice from echoing in my mind now and then. Am I crazy?
Each theme begins to have a clear shape and its own personality. At this stage, some more than others. The boatman’s letter has reached dry land. Let’s see how big will this wolf be and if it will blow the house in. I believe it will.
Since we have been talking about signs and astrology, I will paraphrase someone whose sign is Gemini: “I’m the best!”. Or is it my alter-ego who’s the best and I have been missing my friend Jackie?

Lala lala lalalala

PS: From now on, I promise to leave a post for those who are interested in recordings/mixings; whatever we may have used and applied, etc…

dezembro 09, 2008

11º dia: Numa noite de Inverno


Acabei por ir lá parar numa noite de frio. Ia a caminho daquela terra transmontana chamada Chaves, mas a neve aduaneira não me deixou passar para lá dos montes. O Norte tinha-se camuflado de branco. E eu tinha-o perdido. A urze e as fragas de granito de Miguel Torga tinham formado uma irmandade imbatível. Segredando entre elas, tinham combinado que iriam tomar o espaço ao alcatrão e pavimentar tudo à sua maneira. E assim o fizeram. Vestiram-se todas de fato branco, acabado de engomar, tal qual um exército de milhões. Viesse quem viesse, não havia nada a fazer. O ferrolho de gelo havia isolado Trás-os-Montes.
Ao sentir-me renegada virei mais a Sul. Desta vez era o vento e a chuva que indicavam o caminho. A noite tinha tombado com todo o seu peso à minha volta e o rádio emitia um código indecifrável que tinia repetidamente. Acabei por me livrar dele.
Não conhecia a estrada que percorria e esperava que o nosso diálogo fosse breve. Ao ser assolada pelos golpes de chuva que retumbava encorajada pelo vento, a estrada mantinha uma voz áspera. Desejava pelo momento de separação. No entanto, ela era agora a única companhia. O preto e o branco preenchiam o meu campo de visão, num itinerário intermitente. Sabia que este percurso monocromático me preparava para um destino, ali mais à frente.
Ansiava pela última linha recta e queria agora uma curva à direita. Quando esse momento chegou, ainda haviam outras curvas a descobrir. A estrada continuava a sugerir pistas que eu recolhia. Apareciam várias circunferências, as quais tinham que ser cuidadosamente delineadas até saber em que ponto deveria abandoná-las. Enquanto isto, as bermas da estrada falavam de uma ponte seguida de um fontanário. Avisavam também que haveria um sítio onde um lobo estava aninhado e prestes a acordar.
De súbito, a estrada emudeceu, mas a sua presença sibilante ainda soava nos meus ouvidos. Ela tinha-me levado a um portão branco e à minha frente estava uma casa branca. Afinal a barreira de cristais cintilantes tinha entrado numa demanda para me trazer aqui. Nas paredes lia “Visitas”. Saí do carro e dirigi-me a uma porta igualmente branca. Quando a abri fui surpreendida com amigos, que se cruzavam ao longo de duas salas musicadas. Entre eles partilhavam acordes e versos. Partilhavam igualmente o movimento de uma garrafa que se precipitava para derramar os seus segredos. As duas salas eram separadas por um cristal. Numa delas, havia quadros com luzes que pululavam ao compasso das histórias narradas. Noutra, havia vários instrumentos que permaneciam vibrantes no ar. O chão das salas estava decorado com linhas pretas distribuídas aleatoriamente. Essas linhas ligavam as duas divisões. Percebi que o que se passava numa sala teria impacto na outra. Sentei-me para ver o que iria acontecer deste lado do cristal. Ao meu lado estava agora um lobo aninhado que espreguiçava no chão, abrindo os olhos passo a passo, prestes a acordar.

DanielaCôrtessMaduro


On a winter’s night
I arrived on a cold night. I was heading to a town behind the hills, but the snow didn’t let me go through. The North was under-covered. And I have lost it. The heather and the granite rocks described by Miguel Torga had founded an invincible brotherhood. Whispering between them, they have arranged to take the tarmac’s place and pave the floor their own way. And so they did it. They have dressed themselves with an ironed white suit and they have turned themselves into an army of a million. There was no way through. The icy lock had isolated Trás-os-Montes region.
I felt rejected and turned South. This time the wind and rain leaded the way. The night had fallen heavily around me and the radio spoke through a steady, unbreakable code. I finally decided to get reed of it.
I didn’t know the road and I was hoping our dialog would come to an end. It was being assaulted by a rain encouraged by the wind and spoke with a harsh voice. I was wishing for the moment we broke up. However the road was my only friend. My vision was trapped within a black and white landscape, a twitching itinerary. I knew this monochromatic travel was preparing me for a destination, ahead.
I was longing for the last straight line and I now wanted a curve at my right side. When that moment came, there were much more curves to discover. The road kept on giving me hints which I followed. There were plenty of circles, which I was supposed to carefully delineate until I reached an exit point. During this, the road hedges were telling me about a bridge followed by a fountain. They also warned me about a place where a wolf was curled, almost awaked.
Suddenly, the road was silent, but its sibilant voice was still present in my head. It has taken me to a white gate. There was also a white house in front of me. After all, the white crystals’ barrier had kept a secret plan to lead me here. On the walls it was written “Visitors”. I stepped out of the car and I went towards an equally white door. When I opened it I was surprised to find some friends, walking along two rooms filled with music. They shared chords and verses. They also shared the movement of a bottle leaning over to reveal its secrets. The two rooms were separated by a crystal. In one of them, there were frames with lights twinkling to the beat of the stories which were being told. In the other, there were instruments vibrating suspended in the air. The living room floor was decorated with randomly distributed black lines. These lines linked both rooms. I understood that whatever took place in one room would have an impact on the second. So I sat down on this side of the crystal to see what might happen. By my side there was a wolf curled up on the floor. It was gradually opening his eyes, almost awaked.

DanielaCôrtesMaduro

dezembro 08, 2008

10º dia: A Becky chega ao Covil

© Sofia Silva, Becky Lee, Dezembro 2008


Até agora, só tínhamos as fotos. A Becky ficou de escrever um texto, mas foi tudo tão rápido como um tufão e não houve tempo para nada; apesar do que houve tempo para tudo. A jornada Começou na sexta quando fui com a Daniela a Guimarães vê-la ao vivo. Depois foi a questão logística de como trazê-la para o covil sem as maravilhas técnicas dos telemóveis. Espectáculo…. Depois ir no Domingo buscá-la a Torres Novas apenas com duas horas de sono mal dormidas e 45 minutos no chuveiro. Mas tudo bem, eu e a Raquel, fomos com o Prince até lá abaixo (que compensou o atraso), para descobrir mais tarde, nas palavras da Becky: “quem me dera que houvesse uma estação de rádio que só passasse Prince”. Depois, tivemos uma viagem à Paris-Texas, com a voz da Becky por cima de uma cama feita de água a estilhaçar na estrada com o ruído dos pneus. Mal chegámos ao estúdio atacámos a musica que agora já não é só nossa, também é do Gito e do Miguel e agora também da Becky. Maravilha! Depois, mais uma noite com muito menos horas do que histórias. Houve tempo para canções de natal e para preparar a musica do dia seguinte; para momentos que pertencem agora ao silêncio. Sobretudo ao nosso, mas que se ouvem entre as palavras que ela deixou na gravação. Fica a saudade. Agora já se raspou para terras estranhas, tal como o Miguel e o Gito. E o covil, que sempre que vem um amigo e a seguir parte, fica um pouco mais frio. Só o Jack é que teima em renovar a presença. Fica a saudade.

Joao Rui


Becky arrives to the Lair.
Until now, we only had photos. Becky supposed was to write a text, but it was all very quick, like a typhoon, and there was no time for anything; despite that we had time for everything. The journey began on Friday when I went with Daniela to Guimarães, to see her play live. Then it was a question of logistics and bringing her to the lair without the technical wonders of mobile phones. ... marvelous ... On Sunday, me and Raquel went to Torres Novas to get her from the hotel, with only two hours of bad sleep and 45 minutes of shower. But okay, we went there with Prince (who was compensating for our delay), to discover later, in the words of Becky: "I wish there was a radio station that only broadcasted Prince." After that we had a trip a la Paris-Texas, with the voice of Becky on top of a bed made of splintered water on the road, with the noise of tires hovering.
As soon as we got to the studio we attacked the music that now is not only ours, it is also of Gito’s and Miguel’s, and now, also of Becky. Wonderful! After that, we had another night with far fewer hours than stories. There was time for the Christmas songs and to prepare the music to record on the following day; and there was time for moments that now belong to silence. Ours, above all, but they are still heard in between the words that she left on tape. Saudade remains. Now she’s gone to foreign lands, like Miguel and Gito. And the lair, whenever a friend comes and then parts, gets a little colder. Only Jack insists on a renewed presence. Saudade remains.

9º dia: A Receita!

© Sofia Silva, Johnny, Dezembro 2008

Olha, podes vir andando. Traz uma six pack de red bull. Red bull? Que raio? Ok, eu procuro… aqui, encontrar red bull é tão difícil como encontrar um gajo sóbrio numa rave. Mas ok, eu procuro. Foi assim que começou. Uma série de super/mini mercados duvidosos que nem bebidas nem comidas tinham. O nosso amigo Jack, como o Miguel e o Gito afirmam a pés juntos, ali não quedavam. Mas no worries. Como o resto sabe, eu gosto de mulheres maduras, a começar nos 60, como a minha silvertone. Rezingona e bem madura, à espera estes anos todos de gritar assim. Pura, irresistível, doce, amarga, doce, pura. Eu e o Miro num só tom, o Jorri e a Raquel no turbilhão, a Daniela e mil kilómetros de distância, tudo comprimido num só fôlego. A Sue treinava no covil enquanto nós incendiávamos a casa. Torrámos tudo ali. O resto da noite a dançar loucos ao som da loucura. Amanhã vamos buscar a Becky a Torres Novas a um hotel que já não me lembro do nome. Viva o gps e todas essas novas tecnologias maravilhosas. Caso contrário, provavelmente eu ia ter a Vigo. Que não era mau, mas pelo menos era estranho. Volta para mim, ó consciência…

JoaoRui

dezembro 06, 2008

8º dia: Banjo, Guitarra, Ukelele

Previsão astrológica: “ Este poderá ser um bom dia para se dedicar às vozes do seu inconsciente, resolvendo de uma vez por todas algumas questões emocionais. Não fuja a este confronto e tire parte do seu dia para estar consigo próprio/a.”
A Jigsaw é Sagitário, convém estarmos atentos ao que os astros nos dizem. E, depois de uma noite como a de ontem, urge ganhar algum juízo. Por isso, foi com sobriedade e algum estoicismo que o João Rui continuou a gravação das guitarras, banjo e ukelele. Os contornos das canções começam a ficar cada vez mais definidos, o som vai ganhando corpo. Os dedos do João tiveram diálogos acesos com o metrónomo, mas, Miro, deixa que a música se dedique às vozes do seu próprio inconsciente. São os astros que o ditam! :P

Susana

Astrologic forecast: "This might be a good day for you to dedicate yourself to the voices of your subconscious, resolving once and for all some emotional issues. Do not flee from this confrontation and take part of your day to be with yourself” . A Jigsaw is Sagittarius, one must be aware of what the stars have to tell us. And, after a night as yesterday, it’s imperative to gram some sense. Because of that, it was with sobriety and some stoicism that João Rui continued the recording of the guitars, banjo and ukelele. The contours of the songs are getting more and more defined; the sound is building up. The fingers of João had inflamed dialogues with the metronome, but, Miro, let the song dedicated itself to the voices of its own unconscious. The stars that dictate that! : P

Susana

7º dia: A Parafernália do João

Por entre viagens que insistem em deslizar, reuniões de avaliação e sumiços em estações de serviço, conseguimos finalmente chegar a Vilamar (e se a entrada nos dá abrigo…).
Se pensarmos que no estúdio reina a paciência e parece que ouvimos sons pela primeira vez, em casa esse delírio passa a fazer parte do tempo presente, passado e futuro. Não saberei dizer se é da parafernália de registos (fotografias, vídeo e memória visual), se do cansaço, mas o certo é que somos tomados de um espírito natalício que nos leva a deambular pela casa às 6 da manhã em trajes que lembram cenas de filmes clássicos. Passa-se que as mentes fervilham, apropriam-se dos condimentos à disposição e entram em ebulição. Amanhã não haverá dor de costas, nem cansaço que nos impeça de pensar que até ao fim do ano somos anatomicamente disformes. Possam até lá não nos falar em sonhos, pois o certo é que o silêncio, por 1 hora que seja, é Rei.

SofiaSilva

In between journeys that insist on sliding, meetings of evaluation and disappearances in service stations, finally we arrive to Vilamar (and if the entrance gives shelter…). If we would think that in the studio patience reigns and it looks as though we hear sounds for the first time, at home that delirium turns into part of the future, past, and present time. I could not say whether it’s because of the paraphernalia of registers (photographs, video and visual memory), or of the tiredness, but the certain thing is that we are invaded by a Christmas spirit that makes us dwell at home, 6am in suits that recalls of scenes of classical movies. The minds boil, appropriate themselves of the seasonings at disposal and boil. Tomorrow there will be no back pain, neither tiredness that can prevent us from thinking that up to the end of the year, we are anatomically deformed. Even if thee will not speak to us in dreams, the certain is that the silence, for 1 hour that be, is King.

SofiaSilva


dezembro 04, 2008

6º dia: Guitarras #1

Finalmente, guitarras na fita. Já lá deviam era estar. Mais umas quantas ideias estranhas do Miro, que resultaram (como sempre) bem. Amanhã continuamos a balouçar entre cordas diversas.

JoaoRui


Finally, guitars on tape. They should have been there already. Another bunch of strange ideas by Miro, that worked (like they always do) well. Tomorrow we'll keep on swinging between several strings.

JoaoRui

dezembro 03, 2008

5º dia: Não há bolo para ninguém

Hoje foi dia de preparações diversas. Já está o som preparado para começar a gravar. E no meio disto tudo, esqueci-me que era o aniversário da banda. por regra estamos algures por aí a tocar ao vivo. Desta vez a celebração teve que ser por casa. E agora, a horas bem adiantadas, o Jorri lembrou-me que já temos mais um anito em cima do pêlo. (nota mental: parabéns a nós).

JoaoRui


Today was a preparation day. The sound is set to begin recording tomorrow. And in the midst of all this, Iforgot that it was the band's birthday. Generally, we're out there, somewhere playing live. This time, the celebration had to be at home. And now, at this late hour, Jorri remembered me that we have another day over our shoulder. (mental note: happy birthday to self)

JoaoRui

4º dia: Bateria & Contrabaixo (forasteiros #2 & #3 = Miguel & Gito)

O dia começou com a seguinte sms "Boas, estamos na A6 quase a chegar a Évora, Qual é a saída para aí? Abraço Gito" ... até parece uma mensagem normal: o Gito vinha com o Miguel (ambos membros dos The Soaked Lamb), de Lisboa para gravarem contrabaixo e bateria respectivamente, e até aqui nada de anormal, tirando o pormenor de o estúdio ser perto de Aveiro e eles irem a caminho de Évora. A história acabou bem, e afinal eles vinham mesmo a caminho do estúdio, chegaram a horas e. Depois passaram a tarde a acrescentar mais umas notas; e que notas, às músicas que já estão desde sexta feira passada, refugiadas no estúdio. Amanhã terão a companhia do João e das suas guitarras, banjos, bandolins, ukeleles e sei lá que mais.
Fica aqui um grande abraço e um enorme obrigado ao Gito e ao Miguel, por terem aceite o convite e pela simpatia. Foi e será sempre um enorme prazer partilhar as nossas músicas com eles, em estúdio e nos palcos. Tenho a certeza que esta foi a primeira de muitas colaborações.

E com isto tudo, bombos, tarolas, timbalões e pratos já estão arrumados nas suas caixas... o trabalho deles acabou... agora venham as guitarras...

Jorri


The day began with following sms "hey, we're in A6, almost arriving Évora, what's the exit ? Hug, Gito" ... it even seems like a normal message: Gito was coming with Miguel (both members of the band Soaked Lamb) from Lisbon to record Upright Bass and Drums (respectively). And so far, nothing abnormal, except the detail that the studio is near Aveiro and they were on the way to Évora. The story ended well, and after all they were really coming to the studio and arrived on time. After that, they spent the afternoon adding more notes to the songs that are, since friday, already hiding in the studio. Tomorrow they will have the company of João and his guitars, banjos, mandolins, ukuleles and i don't know what else.
Here's a big hug and a huge thank you to Gito and Miguel for taking our invitation and for their kindness, It was and always will be an enormous pleasure to share our songs with them, in the studio and on stage. I'm shure that this was just the first of many collaborations to come.

And with all of this, kick drums, snares, toms and cymbals, already in their cases... their work is done. let the guitars come now...

Jorri


dezembro 01, 2008

3º dia: bateria #2

Dia final das baterias. Quer dizer, das bases (sólidas). O C.R. continuou a partir o tasco. Amanhã, o estúdio ilumina-se com dois amigos/convidados . Um para a bateria, outro para o contrabaixo (isto promete).

Fica aqui um vídeo de hoje, extremamente aconselhável. Comigo e com o Jorri dentro da sala de gravações e o C.R. no leme. Épico.

João Rui


Drums’ last day. I mean, at least the basic ones. C.R. kept on bringing the house down. Tomorrow, the studio lights up with two friends/guests. One for drums and the other for upright bass (promising).

Here’s a video of today’s affairs. Highly recommendable. With me and Jorri inside the recording chamber and C.R. at the helm. An epic!

novembro 30, 2008

2º dia: bateria

Mais um dia nas baterias. Hoje contámos com o C.R. (vulgo: mestre) dentro do barco. O covil esteve animado. Dia comprido, bem comprido. Há que deixar o motor do álbum a trabalhar direitinho. Amanhã continuamos a apontar baterias à fita de gravação.

João Rui


Another day dedicated to drums. Today we had C.R. (Mestre) inside the boat with us. The lair was cheerful. A long day, a really long day. We have to get the engine of the album running.

Tomorrow we’ll still be “shooting” drums.

novembro 28, 2008

1º dia de gravações : bateria

luzes, câmara, ... calma, antes disso, afinar os instrumentos, esticar a pele à tarola, posicionar os compressores, verificar os microfones, ajustar headphones, está chegar sinal? repete. mais metrónomo, menos bombo! ... acção!
passamos à próxima? ;)

hoje o dia foi do jorri, da bateria e, claro, do miro, que mais uma vez nos acompanhará na aventura. dia árduo para estes dois trabalhadores, leve e fresco para mim e para o joão ;) suaremos daqui a uns dias, isso é certo.

sintonizem-nos, vamos deixando aqui registos diários da nossa viagem ao estúdio.

row row row

Susana


Lights, camera,… cool down, first we have to tune the instruments, stretch the snare’s skin, set the compressors straight, check microphones, adjust headphones. Are you receiving any signal? Repeat. More metronome, less kick drum! … Action!

Today was Jorri’s day (drums’ day) and of course, Miro’s day. He will, once more, join us in this adventure. A hard day for two workers, smooth and fresh for me and João ;). We’ll sweat in a couple of days, that’s for shure. Tune in with us, we’ll leave here our daily records of our trip to the studio.

Row row row



novembro 27, 2008

Work in Progress (II)

© Sofia Silva, Johnny, Sobral, Novembro, 2008

© Sofia Silva, Jorri, Sobral, Novembro, 2008

novembro 25, 2008

a próxima paragem: estúdio

Esta semana, a casa azul, a casa da magia onde tudo acontece, vai ficar vazia. As josefinas ocuparão em teias os sofás, o bafo do frio soprará as cinzas da lareira e as paredes hão-de reencontrar-se, paredes, no silêncio. Guitarras, bandolim, ukelele, banjo, harmónicas, piano, contrabaixo, violino, xilofones, bombo, harmónio e as mil e uma tralhas da percussão estão já guardadas na arca que há-de ser carregada pelo Minotauro até ao estúdio de gravação. Até final de Dezembro, as próximas cartas estarão preparadas para voar. É que, durante todo este tempo, não deixámos de receber cartas do barqueiro, por isso as palavras teimam em beijar-nos os dedos e continuamos sem perceber onde termina a poesia e começa a canção. Pode ser que seja apenas uma alucinação colectiva, este sonho que nos tem partido os ossos, aquecido o sangue e insuflado a alma, mas estamos ansiosos por partilhá-lo. Regressaremos do Inverno, com todas as promessas sobre os ombros, sem mais nada que esperança. Mas só depois de mudar de pele, predadores ou presas, regressaremos desse lugar onde os nossos passos não são ouvidos. Ou talvez tudo não passe de mais uma ilusão… :)

novembro 24, 2008

Work in Progress (I)

© Sofia Silva, Jorri, Sobral, Novembro, 2008

© Sofia Silva, Johnny, Sobral, Novembro, 2008

© Sofia Silva, Susana, Sobral, Novembro, 2008

setembro 29, 2008

Associação Espontânea :: Vila Real

© Sofia Silva, Jorri, Vila Real, 2008
© Sofia Silva, Susana, Vila Real, 200
© Sofia Silva, Johnny, Vila Real, 2008

agosto 13, 2008

sessão fotográfica



no passado sábado voámos até marrocos para mais uma sessão fotográfica sob os comandos da talentosa sofia silva. esperem, marrocos não, canárias! ... ou terá sido méxico?! ... adiante.

algumas das fotos estão já na galeria do nosso myspace e em breve outras serão adicionadas. fiquem atentos!!! ;)



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julho 15, 2008

a caminho de viseu

na quinta, dia 17, estaremos, pela segunda vez este ano, em viseu. da primeira vez, tocámos na fnac, foi um dos concertos de inauguração daquela superfície. desta vez, será mais uma inauguração - viseu city. come
como desconfiamos que se situa numa dimensão paralela, deixaremos um rasto de pedacinhos de pão, porque queremos muito regressar! ;)



o joão rui sugere um rasto de broa de avintes, diz ele que esses pedacinhos ninguém come!!! :D


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julho 09, 2008

diário de bordo

desde setembro, altura em que o álbum "letters from the boatman" foi editado, que o barqueiro não pára. entre viagens e concertos, furos de pneus e backstages com pó de talco, são já tantas as peripécias e as memórias que não resistimos a registá-las e partilhá-las. um blog parece-nos um espaço possível. o nosso diário de bordo!


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