fevereiro 17, 2010

Já é longe o suficiente?

O sol que nasce sobre Caccamo apenas o fazia para as águas do lago que dorme entre as montanhas. O silêncio dos longos abraços que trocavam era incêndio antigo. Depois vieram as pessoas e o silêncio deixou de ser uno para se tornar uma metade dividida entre solidão e mágoa. Passamos entre os dois antes de partir rumo ao Adriático.
(guardei em segredo os sussurros dos reflexos de sol para os levar a conhecer o mar).
Já é longe? Já é longe o suficiente? Este mar de marés que adivinho tão diferentes das minhas pede-me também tempo que não tenho. Queria ficar aqui sentado a conhecer-te, mas só vim trazer segredos que não são meus. Os joelhos são da areia, os olhos são do mar, mas o coração não é daqui. Deixo que as mãos provem a frescura da água, permito aos lábios o sabor da maresia e aos meus pés dou a areia que se vai transformando em terra e asfalto até nada restar senão os quadros que estão pendurados fora da janela do Adriático até a Ariano Nel Polesine.
Junto à praça da estátua que recorda tantas almas por quem os sinos dobraram há uma estrada que nos introduz ao Porcupine Pub. Em frente à bandeira esgaçada do reino unido ao fundo da sala, veio-me à memória a recordação de ter comprado há bem mais mais de dez anos, sobre o Arco da Almedina, um álbum chamado “Bunny Gets Paid” de uma banda de nome “Red Red Meat”. Dei-lhe horas e horas do meu silêncio atento. O Tim Hurley que hoje se apresenta sob o nome “Sin Ropas” estava nesse álbum. Hoje com nome diverso, traz com ele uma rapariga chamada Danni que se ocupa do piano e da pele do bombo. Ao primeiro estalar de cordas toda a minha memória se encosta ao meu ombro na esperança de não deixar avançar o tempo. Magnífica coincidência de hoje encontrar um antigo bardo que me embalou os anos.
Assim, o lobo foi dançar sobre pó de estrelas.
Mais um dia que tem laivos de década… e se assim não fosse, não teria que condensar em poucas linhas os olhos que daqui levo. O Augusto, o Paulo, o Tim, a Danni, a D. Luisa…
Vamos como viemos (mas daqui não partimos mais)
Joao RuiIs it far enough? - The sun that rises over Caccamo only did so for the waters of the lake that sleeps between the mountains. The silence of their long embrace was na ancient. Then came the people and the silence was longer one. He became one half divided between loneliness and sorrow. We go through them both before heading to the Adriatic. (I kept in secret the whispers of the reflections of the sun to take them to meet the sea). It is far? It is far enough? The tides of this sea that I guess so different from mine also asked me for time that I do not have. I want to sit here to know you better, but I only came to bring you secrets that are not mine. The knees are of the sand, the eyes are of the sea, but the heart is not from here. I let my hands taste the freshness of the water, I allow the lips the scent of the seas’s breath and I give my feet the sand that turns into soil and asphalt until nothing remains but the pictures that are hung outside the window from the Adriatic to Ariano Nel Polesine. Next to the square of the image that recalls so many souls for whom the bell tolled there is a road that brings us to the Porcupine Pub. In front of the flag of the old and torn out flag of the United Kingdom a memory came to my mind, the recollection of having bought well over more than ten years ago over the Arco da Almedina an album called “Bunny Gets Paid” of a band named “Red Red Meat”. I gave it hours and hours of my attentive silence. Tim Hurley who now goes under the name "Sin Ropas" was in this same album. Today, he is here with a different name and with a girl named Danni with hands on piano and on the skin of drums. At the first snap of the strings, all my memory clings to my shoulder hoping to keep back the time. What a magnificent coincidence to find here today an ancient bard that cradled my years. Thus, the wolf was dancing over the dust of stars. Another day that feels like a decade... and if it were otherwise, I would not have to condense into a few lines the eyes that I will take with me. Augusto, Paulo, Tim, Danni, D. Luisa ... We go like we came (but from here we do not part) Joao Rui

fevereiro 16, 2010

Meus irmãos, que não vos conhecia o Rosto

À medida que Roma se desvanece no retrovisor, o chão mostra a agilidade com que do nada se erguem montanhas a perder de vista – e as que a vista alcança é a neve o que o olhar abarca - estes são solos férteis para passos de lobo.
Mais umas horas de viagem que terminam junto ao adriático e que depois se vão alargar para o norte. Quase todas as vilas se formam em torno de montes e no topo as torres da igreja são os olhos de uma população que insiste em não partir. Bem hajam pois é delas um sorriso que desconhecia. Corridonia é um desses casos. Desde a porta das muralhas e seguindo por ruas mais estreitas que a chuva que por entre elas cai. O S.O.M.S. Club fica numa dessas paredes, com vista sobre uma planície gigantesca que se deitou na encosta da montanha e pousou os pés no mar. Esta é terra de lobos. Parece existir um sorriso que vai dos lábios de uma pessoa aos de outra. É como se houvéramos chegado a casa. Trazem-nos iguarias e oferendas espirituosas para o Lupo. Marco, Andrea, Cristina, Fidelia, Eva, a picola Julia… a sala inteira a abarrotar de pessoas que desconheciam os pés onde a dança é não mais que o fôlego impossível de ocultar. Se ontem o coração transbordava, hoje ele desconhece o pulsar solitário de veias solitárias. Meus irmãos, que não vos conhecia o rosto, é um prazer finalmente vos encontrar aqui. Foi demasiado tempo. Demasiado tempo.
(My Funny Valentine)
Joao Rui
My brothers of whom I did not know your face - As Rome fades in the rearview mirror, the floor shows the speed with which the mountains rise up as far as the eye can see - and that what the eye can see is but snow - these are fertile grounds for wolf’s steps. A few more hours of travel that end on the Adriatic Sea and which then will extend to the north. Almost all villages are formed around the hills, and on top stand the church towers that are the eyes of a population that will just not go away. Blessed.. . because it is a smile that did not know. Corridonia is one of those cases. From the entrance door of the walls and to the following streets narrower than the rain which falls between them. The S.O.M.S. Club is on one of those walls, overlooking a huge plain that lays on the hillside and landed its feet in the sea. This is a land of wolves. There seems to be a smile that goes from the lips of one person to another. It's like If we have reached home. They give us treats and gifts for the Lupo. Marco, Andrea, Cristina, Fidelia, Eve, Picola Julia ... the entire room crammed with people who were unaware of the feet where the dance is no more than na impossible breath to hide. If the heart overflowed yesterday, today he is unaware of the solitary pulsating of solitary veins. My brothers of whom I did not know your face, it’s a pleasure to finally meet you here. It was too long. Too long. (My Funny Valentine) Joao Rui

fevereiro 15, 2010

A Luz de Roma

Os dias são longos porque há sempre um destino ao fim deles; há sempre uma hora marcada com a tempestade. Ela espera…
Mas hoje o dia é mais pequeno para tantas voltas: o despertar da noite, a visão distante da vila de Mandela enquanto visitávamos o estúdio de um amigo com um sério problema de localização de chaves, a chegada da Susana; a solidão das horas e o despertar da noite. A alcateia está junta de novo.
Então voltamos, não sei se posso dizer ao “coração de Roma”, mas certamente é um retorno ao meu.
Esta noite tem laivos de sol – e já há dias que não vejo o sol. Nem de quando em vez nem tão pouco de vez em quanto. Tem sido ausente deste delírio. Beba do Samba tem ascendência brasileira: é feito de sonhos e olhos bem atentos. É conhecedor do silêncio e basta. Por entre os dedos do Jorri nas teclas de um piano que a velhice não desafinou precipitámos o nosso lobo para uma dança frenética no centro de um salão onde não cabia mais uma única pessoa. Por entre olhos semi-cerrados vi o sorriso do Francesco, o riso da Rossella e lá ao fundo, a espreitar do coração, a Lupa di Roma.
O meu coração transborda…
Ultimas palavras antes de te deixar partir: o pó da estrada que nos vem perseguindo há dias acompanha de perto todos os nossos movimentos e pulsações - quando um dia tudo isto for memória serás bem-vindo a este coração.
Joao RuiThe Light of Rome - The days are long because there is always a destiny at the end of them; there is always an appointment with the storm. She waits... But today is too short for so many turns: the awakening of the night, the distant view of the town of Mandela while visiting the studio of a friend with a serious problem of key location, the arrival of Susana, the hours of solitude and the awakening night. The pack is together again. So we return, and I don’t know if I can say to the "heart of Rome," but it certainly is a return to mine. This night has hints of sun - and it’s been days since I’ve last seen the sun. Not once in a while and certainly not every now and then. He has been absent of this delirium. Beba do Samba is a Brazilian offspring: it’s made of dreams and attentive eyes. He knows silence and that is enough. From Jorri’s fingers on the keys of an old grand piano of which age did not steal the tuning, we rushed our wolf to a frenzied dance in the center of a room where could not fit another single person. Among half-closed eyes I saw the smile of Francesco, the laughter of Rossella and there in the background, peaking, la Lupa di Roma. My heart overflows... Last words before I let you go: the dust of the road which has been chasing for days and closely monitoring our every move and heartbeat - one day, when all of this is memory you will be welcome back to this heart. Joao Rui

fevereiro 14, 2010

Manual de Iniciação

Já não nevava em Roma há 26 anos” diziam-me o Jordan e o Mateo. Roma esperava o regresso do lobo; talvez seja isso. Então foi essa a razão pela qual ficámos presos no trânsito durante duas horas às portas da cidade? Estradas cortadas?
Mas adianto-me em demasia: devíamos ter chegado às 5 da manhã a Roma, mas já eram 2 da tarde quando passámos os portões de acesso. Então voltemos atrás, até às 23:40 – é curioso o que pode acontecer quando se chega a Pisa sem um manual de Iniciação a Itália. Então, olhemos a 1ª página: Ponto 1: Escolha de Vestuário e malas de mão para trazer no Aeroporto de Pisa– casaco de cabedal verde e um harmonium na mão são sem dúvida escolhas que vos trarão a frase obrigatória dos carabinieri “Documenti per favore!”(especialmente se o vosso nome for Marco). Claro que uns momentos de boa tertúlia entre quatro paredes com estes sábios conhecedores de instrumentos musicais vos vão atrasar 15 minutos que podem ser preciosos. Não obstante, se optarem por esta escolha, então sigamos para o Ponto 2: se o que vos ocupa o bolso do casaco é uma reserva de um carro para as 2 da manhã, uma hora que não seja a do horário de, por exemplo uma pastelaria (e reforço a ideia ou conceito de RESERVA) então talvez se deparem com um rapaz de sorriso de Mefistófeles que vos dirá: hum… vocês têm uma reserva com essa companhia? É capaz de ser melhor correr, que eles não vão esperar. Sim, mas aqui a corrida de pouco valerá, mas fica o aviso para não deixar o rapaz de casaco verde dentro do aeroporto com toda a bagagem porque entretanto, e por magia, o aeroporto pode cerrar as portas e o tal casaco junto com o proprietário pode desaparecer de vista.
Ponto 3: quando em terras estranhas, os sorrisos podem ser mal interpretados, como o de Mefistófeles. Tanto quanto se sabe pode ser que se esse rapaz se chame Valério. E se assim for, poderá dar-vos as primeiras impressões de condução dentro de Itália (estradas em contramão, queimar semáforos vermelhos – e tudo, sim, tudo com a bagageira semi-aberta com as vossas malas) – e ainda assim estarão em muito boas mãos.
Ponto 4: Não se iludam com o conhecimento que os nativos têm dos horários de comboio, especialmente se esse conhecimento vos for transmitido por alguém que desconhece as regras de trânsito e tem carro próprio. Podem dar por vocês numa estação mal amanhada sem qualquer linha disponível para Roma, na companhia de alguns nativos de ar suspeito (se levarem um Jorri na vossa jornada, então tudo estará bem, até porque ele em menos tempo do que leva a vossa cabeça a imaginar todas as possibilidades de um assalto vos vai conseguir um quarto).
Ponto 5: Alugar um carro – não se esqueçam de raspar o gelo dos vidros, verificar se todos funcionam e se o isqueiro do carro está em bom estado. São tudo conselhos para não terem que trocar de carro 3 vezes (o que, por experiência pessoal, vos garanto que vos atrasará a demanda)
Fim de Manual.
O Coliseu é tal como o esperava – o cheiro de história antiga e da minha imaginação envolvem-se demais. Um pouco das duas… mas já lá volto.
Então, diziam-me o Jordan e o Mateo que Roma estava com um tempo insólito, mas eles os dois, juntamente com o Filipo e o Paolo aqueceram o princípio da noite no Officine. São os Vinegar Socks, uma das melhores bandas que tenho ouvido, capazes de deitar a casa abaixo e enternecer o coração. Bons amigos. Assim, o Lobo deu os seus primeiros passos de dança em Roma – Il Lupo di Roma.
Agora, à distância de umas horas, por entre as palavras do Mateo a noite vai-nos roubando a lucidez.
Amanhã Roma volta a abrir os seus braços.
(Tenho saudades do futuro)
Joao Rui

Initiation Manual - "It hadn’t snowed in Rome for 26 years" told me the Jordan and Mateo. Rome was expecting the return of the wolf; maybe that’s it. So that was why we were stuck in traffic for two hours at the city gate? Cut Roads? But I’m going too far ahead of myself: we should have arrived at 5 am to Rome, but it was already 2 pm when we passed the gates of city. So let’s go back to 23:40 - it is curious what can happen when you get to Pisa without an initiation manual of Italy. So look at the 1st page: Point 1: Choice of clothing and handbags to bring in Pisa’s airport – a green leather jacket and a harmonium in your hand are certainly choices that will bring you a mandatory sentence of the Carabinieri "Documenti per favore! "(especially if your name is Marco). Of course, it will provide you with some 4 walled moments behind closed doors with these wise connoisseurs of musical instruments, and that might delay you for about 15 minutes that can be precious. However, if you must go for these choices, then follow to Point 2: If what occupies the pocket of the jacket is a reservation for a car at 2 am, a time other than the time of, say an office (and reinforcing the idea, or concept of RESERVE) then you may encounter a guy with the smile of Mephistopheles that will tell you, hum ... you have a reservation with this company? You’d better run, they will not wait. Yes, but here the race is of little worth. But be warned not to leave the guy in the green jacket inside the airport with all the baggage because, by magic, the airport may close the doors and this jacket along with the owner can get out of sight. Point 3: When in foreign lands, the smiles may be misinterpreted, like Mephistopheles. As far as we know it may be that this guy is called Valerio. And if so, he can give you the first impressions of driving in Italy (in the wrong roads, burning red lights - and everything, yes, all with the semi-open trunk with your luggage) - and still you will be in very good hands. Point 4: Make no mistake with the knowledge that the natives have of the arrivals and departures of trains; especially if that knowledge is transmitted to you by someone who does not know the traffic rules and has a car. You might find yourselves in a strange train station without any available lines to Rome and in the company of some suspicious folks (if you take a Jorri on your journey, then everything is fine, because it in less time than it takes your head imagine all the possibilities of being mugged he will get you a room). Point 5: Rent a car - do not forget to scrape the ice of the windows, make sure that all windows work and if the lighter the car is in good condition. These are good advices so you don’t need to change your car 3 times (which, from personal experience, I guarantee you that will delay you further). End of Italy’s Initiation Manual. The Coliseum is as I expected - the smell of ancient history and my imagination get far too involved. A bit of both ... but I’ll return to that. So, Jordan and Mateo told me that Rome was having an unusual weather, but they both, along with Paolo and Filipo warmed the beginning of the evening at the Officine. They are the Vinegar Socks, one of the best bands I have heard, able to throw the house down while doing that, melting your heart. Good friends. Thus, the Wolf took his first dance steps in Rome - Il Lupo di Roma. Now at the distance of a few hours, between the words of Mateo, the night is stealing the clarity. Tomorrow Rome opens her arms again. (I miss the future) Joao Rui

fevereiro 13, 2010

Pássaro de ferro (II – Pisa)

As estradas por onde retornamos a Beauvais são as mesmas, mas os campos já não são tão verdes como à ida para Paris. O manto de neve que se abateu sobre a cidade cobriu todo o espaço em torno de si – e então do verde dos campos se estendia à nossa chegada são agora memória vaga; substituem-lhes agora longas tiras de linho branco por entre árvores de uma nudez rara.Antes de partir, um amigo de longa data pediu-me o seguinte: “quando estiveres em Paris, se puderes passa pela Torre Eiffel, coloca uma das mãos num dos pilares, outra no coração e pensa em mim. Já estive em França mas nunca lá pude ir e foi sempre um desejo meu ir ver a torre, mas nunca aconteceu” – isto dito com olhos de quem adivinha que nunca o irá fazer levou-nos os passos até à Torre para prestar homenagem a um desejo. Da mesma forma que horas antes prestava vassalagem a outra vontade de entrar numa Patisserie e pedir uma baguette. Assim se cumpriu, mas com menos sorte do que esperava. Entrámos na primeira que encontrámos de quem vem do lado esquerdo do Panteão Nacional ao som da neve que estilhaçava a pedra das paredes… ah…Paris… sim, é tudo verdade, mas momentos mais tarde livrava-me do pão como quem sacode água do capote. Tentei então a sorte na vitrine dos croissants enquanto o Jorri e o Marco se riam sentados na suas escolhas mais afortunadas. O aeroporto é tão pequeno como o encontrámos à chegada, mas como se fora milagre, as paredes encolheram ainda mais – dezenas de pessoas aguardam sentadas nos bancos e no chão o bando de pássaros que irá partir para os céus em busca de novo caminho.
Agora que o pássaro de ferro sobrevoa os últimos campos de França, os meus olhos já observam os de Itália mesmo sem ainda os poder ver tal cerrada é a noite que as asas dele atravessa – há apenas um vislumbre de réstia de nuvens e nada mais.Nestas alturas o coração detém-se para olhar os passos que antecedem o fôlego presente – já sinto saudades do salão do Pop In e de ouvir a magia que nos trouxe um novo amigo: Mathias – de mãos onde um saxofone tem o tamanho das minhas, subiu ao palco onde o lobo dançava; agradou-lhe também a caçada. Obrigado meu bom amigo. Obrigado Mathias. A esta hora que as asas do pássaro de ferro descem para Itália, o Mathias e o Jason Edwards rondam as ruas de Paris; deixámos memória do lobo nas mãos destes novos companheiros. E agora seguimos viagem…(nunca é a noite que desce, somos nós que ao cerrar os olhos a ela descemos.)
Joao RuiIron Bird (II-Pisa) - The roads from where we return to Beauvais are the same, but the fields are no longer as green as on the way to Paris. The blanket of snow that fell on the city covered all the space around her - and then the green of the fields that was stretching to our arrival are now a vague memory; they are now replaced for long strips of white linen among the trees of a rare nudity. Before Leaving, a longtime friend asked me the following: "When you're in Paris, if you can pass by the Eiffel Tower, place one hand on the pillars, one in heart and think of me. I have been to France but I was never able to go, and it was always an ambition of mine to go and see the tower, but it never happened "- that said with the eye of whom guesses or knows that he will never do it, lead us to step up to the Tower to pay homage to a wish. Like hours before I paid homage to another will by entering into a Patisserie and asking for a baguette. Thus was fulfilled, but with less luck than expected. We entered the first we found, the one that is on the left side of the National Pantheon, to the sound of the snow that was shattering against the stone walls ... ah ... Paris ... yes, it's all true, but moments later I got rid of the bread as if I was shaking the rain from my hat. I had to try my luck in the showcase of croissants while Jorri and Marco laughed sitting in their more fortunate choices. The airport is as small as I found it on arrival, but as if it were a miracle, the walls have shrunk even more - dozens of people sitting on the benches waiting for the flock that will be traveling to the heavens in search of new path. Now that the iron bird flies past the fields of France, my eyes have met the same of Italy without even being able to see, such is the night’s darkness when his wings go through her - just a glimpse of glimmer of clouds and nothing more. At such times the heart has to look at the steps hat lead up to the breath of now – I already miss the lounge of Pop In and I already miss hearing the magic that a new friend brought us: Mathias – with hands where a saxophone is the size of my hands, took the stage where the wolf was dancing; the hunt pleased him as well. Thank you my good friend. Thank you Mathias. At this time, while the wings of the iron bird are going down into Italy, Mathias and Jason Edwards roam the streets of Paris; we left memory of the wolf in the hands of new companions. And now we carry on... (it is not the night that ever goes down, it is us that by closing our eyes descend to her) Joao Rui

fevereiro 11, 2010

Noites brancas (Paris)

Frio, demasiado frio. Não tanto como imaginava, mas mais do que as minhas mãos esperavam; da mesma forma que estas estradas não nos esperavam tão cedo – os pneus vão afastando o gelo do asfalto e só umas boas horas mais tarde somos recebidos. Por família. há sempre um familiar mais ou menos distante que decidiu partir e manter-se afastado da espuma das ondas de onde partimos. A Bela e o Tomas – os olhos de um são o sorriso do outro e o riso do outro é sempre o olhar de um só. Entre cordas de guitarras com a idade da minha avó e saudade mais antiga que o sol, o dia tornou-se noite e com ela o sono encheu o peito e veio bater à nossa porta – deixamo-lo na soleira. Mas aqui, as noites parecem-me mais curtas – e o tempo mal me chega para me aperceber que estamos a dormir. Em menos de trinta minutos já vimos o suficiente: a Bastilha, uma ambulância que se esqueceu da nossa presença, os olhos estranhos de quem conhece outro passado… Chegámos à rua Victor Massé… meu deus… entrando pelo sul, à direita há 12 lojas de guitarras, à esquerda outras 11… os meus olhos são peculiares devotos dessas fêmeas de 6 cordas… Je suis enchantee de faire votre connaissance … O Pop In parece à primeira vista um simples Pub, mas em breve adivinhamos duas, três, cinco salas contíguas, que vão do piano de 1950 a um canto onde acabámos a noite até ao centro do placo onde se deu o seu início… Pouco antes do concerto a neve começou a rondar as ruas em forma de tempestade. Sussurrámos ao ouvido do lobo e ele foi lá fora dançar…foi assim que ele se apresentou pela primeira vez fora de portas – e as pessoas que vieram emprestar o seu coração ao lobo não souberam senão retribuir-lhe com doçura. Quando terminámos as festividades a tempestade ainda não conhecia o final do vento. Guardámos os instrumentos, calçámos as luvas e abrimos caminho através da neve. (à entrada do Hotel guardei uma ultima imagem de Paris dentro do meu coração. Daquelas que tão cedo o tempo não me vai levar)
Joao RuiWhite Nights (Paris) - Cold, too cold. Not so much as I imagined, but more than my hands were waiting for; just as these roads weren’t expecting us so soon - the tires move the ice away from the asphalt and only a few good hours later we are at last, received. By family; there is always a more or less distant member of the family that and decided to leave and stay away from the foam of the waves from where we hail. Bela and Thomas - the eyes of one are the other’s laughter and the smile of the other is always the look of one. Among guitar strings with the age of my grandmother and a longing that is older than the sun, the day became night and with it the sleep filled his chest and came knocking on our door – we left him on the doorstep. But here the nights seem shorter to me - and I hardly have the time to realize that we are sleeping. In less than thirty minutes have seen enough: the Bastille, an ambulance that seemed to have forgotten of our presence, the strange eyes for whom the past was another... We reached the street Victor Masse ... my god ... coming from the south, on the right there are 12 stores guitars, to the left 11 other ... my eyes are peculiar devotees of these female 6-string... Je suis enchantee de faire votre connaissance …. At first sight the Pop In seems like a simple pub, but soon we find two, three, five adjoining rooms, that go from the 1950’s piano in a corner where we ended the night, to the center of the stage where it began... Shortly before the concert the snow began to prowl the streets in a storm. We whispered to the wolf’s ear and he went outside to dance ... that's how he performed for the first time out of doors - and the people who came to lend their hearts to the wolf did but to return with sweetness. When we concluded the festivities the storm had not been able to find the end of the wind. We stored our instruments, put on our gloves and opened our path through the snow. (at the entrance of the hotel I kept one last image of Paris in my heart. One of those that time will not take me from me so soon). Joao Rui

Passaro de ferro (I - Beauvais)

Daqui de onde imagino que Deus me observe são poucos os momentos em que os olhos encontram descanso. Os meus companheiros de viagem são as preces que aqui dirigi quando me achei retomado de alguma fé no porto de abrigo de onde elas partiram.
Mas hoje não é dia de bússolas ou navios – seguimos caminho com asas emprestadas. O coração permanece nas nuvens por um instante e depois é apenas recordação. Eu queria dar-to, mas temo que não me demore o suficiente para não ter de o levar comigo.
Agora que fraquejam os músculos do pássaro de ferro, a descida torna-nos mais humanos
(não fora a gravidade minha irmã eu não lhe arriscaria traição)
Joao Rui

Iron Bird (I-Beauveais) - Up here from where I wonder god observes me, there are very few moments to rest my eyes. My trip companions are the prayers that I have thrown here back when I found myself with a little faith in the Port of shelter from where I left. But today is not of compass or ships – we follow the tracks on borrowed wings – the heart remains in the clouds for just one moment and then it becomes memory. I wanted to give it to you, but I fear I won’t linger enough so that I don’t need to take it with me. Now that the muscles of the iron bird are growing tired, the descent turns us more human. (if gravity was not my sister I would not risk a treason) Joao Rui

fevereiro 10, 2010

Arrivals & Departures

A viagem havia sido frenética. Não porque tenha havido contratempos, mas porque os sentimentos estavam à flor da pele e alternavam entre si, acumulavam-se, explodiam, escapavam e voltavam com o dobro da força.

Éramos quatro amigos impelidos por uma despedida iminente. O conta-quilómetros do carro onde seguíamos assinalava mais um passo ao encontro desse momento. Ora permanecíamos dentro de nós olhando silenciosamente uma película vazia através da janela, ora saltávamos à vista depois de uma gargalhada. Estávamos à espera de um único momento que estava prestes a chegar.
Chegados ao ponto onde o caminho se bifurca senti que tudo se precipitava. Estava a ser demasiado rápido. Queria ter olhado para eles, memorizado as expressões das suas caras para guardá-las carinhosamente. Contudo, embora já não houvesse o conta-quilómetros a denunciar a proximidade do momento, havia os ponteiros de um relógio que não se quedavam. Depois era o tal turbilhão de sentimentos que acossavam o coração. Os meus amigos iam partir. Eu era a única que ia ficar. Temia o que vinha a seguir, quando eles não estivessem ao meu lado.
Já eles tinham atravessado para o outro lado do vidro e eu ainda tentava ver até ao último detalhe da silhueta do lobo. Dei conta que tinha um risco translúcido que percorria a parte esquerda da minha cara. Enquanto o apagava com as costas da mão, tentava descortinar se estava triste ou alegre. Queria decidir imediatamente. A minha face direita ficara intocada pela despedida.
Eles desapareceram do outro lado do vidro e eu tinha agora que lidar com uma nova soma de sentimentos. Permiti corajosamente que cada um me inundasse. Entrei dentro do mesmo carro azul que nos havia reunido. Ao meu lado estava uma melódica, uma mala com uns anjos inscritos e outra que não quis abrir. Ao contrário de mim, estarão outra vez com eles daqui a dois dias. O carro era agora um local de solidão e esperava-me uma viagem ao ponto de partida. Aqui vou permanecer e aguardar notícias do outro lado do vidro. A última vez que os vi sorriam para mim. E no entretanto, cada vez que lembro isso, sorrio de volta.

Daniela Côrtes Maduro

fevereiro 09, 2010

Mais a norte, muito mais a norte

Ultimas palavras antes de nos irmos embora?
Noutros tempos que não conheço subia-se ao ponto mais alto da região para que a voz não encontrasse morada próxima. E assim rumámos para norte, muito mais a norte, para que daqui a despedida já fosse irmã da saudade. Agora é hora de colher sorrisos e descobrir espaço suficiente dentro das malas para os levar comigo – sei que em noites mais frias os meus cadernos negros só serão boa companhia para tinta ainda mais negra. Então vou levar todos estes rasgos que posso para os estender nas janelas por onde me vou lembrar não do que ficou para trás, mas de tudo o que espera um passo à frente.
Dois passos para trás, talvez três ou cinco – e então um passo para diante. É tudo uma questão de balanço.
Vamos na promessa de regressar com o eco da voz que aqui fica hoje.
JoaoRui

Further north, much further north – Last words before we go away? In other times that I do not know, one would go up to the highest point of the region so the voice would not find a close address. And so we headed further north, much further north, so that from here the farewell would be already a sister of longing. Now it's time to harvest smiles and find enough space in my luggage to take with me - I know that on the coldest nights, my black notebooks will only be good company for even darker ink. So I’ll take all these so that I can to hang them on the windows through which I will not remember what was left behind, but everything that’s expecting a step further. Two steps back, maybe three or five - and then a step forward. It's all a matter of balance. We’re going in the promise of returning with the echo of the voice that stays here today. JoaoRui

fevereiro 08, 2010

A arte de voltar [06.02.2010 Coimbra]

Voltamos a casa e às pedras da calçada que circundam a sé velha e que descem do quebra-costas até ao abrigo do lobo desta noite – a Arte à Parte.
Se tudo é saudade, este regresso antes da partida é o silêncio que antecede as tempestades do coração.
Se a memória é tudo o que nos acompanha, então hoje à noite enchi os bolsos, as mãos e os olhos de nova companhia de viagem.
Mas neste regresso há um sentimento que me é estrangeiro, como se eu fora um estranho que pela primeira vez visita Coimbra e recebe assim as primeiras bênçãos da cidade.
E vieram caras que conheço, mas ainda mais aquelas de olhos que não faziam parte das minhas memórias e que agora fazem parte de mim.
A doce oferenda do silêncio e a cumplicidade de todos quantos vieram hoje… que magnífica companhia de viagem. O lobo não poderia pedir mais…
Obrigado.
JoaoRui

The Art Of Returning - We returned home, to the stones of the pavement that surround the Old Cathedral and descend the ladder to the shelter of wolf for tonight – Arte à Parte. If everything is longing, this return before leaving is the silence that precedes the storms of the heart. If memory is all that accompanies us, tonight I filled my pockets, hands and eyes with a new travel companion. But in this return there is a feeling that is foreign to me, as if I was a stranger for the first time visiting Coimbra and thus received the first blessings of the city. And there came about faces that I know, but even more those of whose eyes were not part of my memories but are now part of me. The sweet gift of silence and complicity of those who came today ... what a magnificent travel companion. The wolf could not ask for more ...Thank you. JoaoRui

O Quarto Negro [05.02.2010 Aveiro]

Eu costumo imaginar que quando a mim recolho, as paredes que me rodeiam são todas elas mais negras que um sonho interrompido.
Então, ao entrar através da porta do Mercado Negro, foi como recolher-me ao silêncio de outros dias: um quarto negro com degraus de anfiteatro onde a escuridão é cortada por uma luz azul que vai do meu coração às silhuetas que foram entrando entre as canções que a esta hora se aninham por entre as frestas da nossa ausência.
Há um bom par de anos estivemos em Aveiro, numa casa chamada Navio de Espelhos. Pelo que soube foi barco que naufragou – regressou à noite para não voltar. Amanhã voltamos; voltamos a Coimbra.
JoaoRui

The black room: I often imagine that when I go back for me, the walls around me are all darker than an interrupted dream. So, going through the door of Mercado Negro, was like gathering to the silence of other days: a black room with amphitheater steps where darkness is cut by a blue light that goes from my heart to the silhouettes that were entering between the songs that at this time are nested in the cracks of our absence. A couple of years ago we were in Aveiro, in a house called the Ship of Mirrors. From what I’ve heard it’s a boat that sank - returned to the night to not come back. Tomorrow we return, we return to Coimbra. JoaoRui

fevereiro 01, 2010

Memórias da neve [29.01.2010 Covilhã]


Eu conheço estas ruas. O cheiro das casas é-me familiar, as árvores não me são estranhas e nem tão pouco o são os ramos que me envolvem os olhos. As pessoas são outra história: os passos delas, o respirar delas – são-me ainda mais estranhos do que eu. Ou não houvera eu sido em dias que não estes, filho do frio que desce as encostas desta montanha. Da janela da casa onde hoje mora apenas a minha memória assisto, mudo, a cada dia que passa, o sol a fugir-me das mãos – e tudo o que sobra é vontade de partir no encalço de luz.
Meu pai, que conhece tão bem o nascer do dia como eu o fim dele, diz que lhe falta o horizonte – diz que este aninhado no beiral da janela é um filho menor do contentamento. Também lhe faz falta a luz. E então partimos de mãos dadas por estradas mais transformadas do que me recordo – como há vinte anos atrás (talvez mais) numa época em que a neve era o azar dos seus filhos e privilégio meu.
Voltei à fonte das fotografias que vão ficando debaixo do pó da idade e regressei ao sorriso do meu irmão com os dedos envoltos em flocos de gelo.
Não há medida para a saudade nem tão pouco há medida para a nostalgia de não poder voltar – é apenas saudade de ignorância da rapidez com que num estalar de dedos nos tornamos memória.
Há mais do que um bom par de anos a minha mãe falava-me do estrangeiro de Camus e do isolamento a que também o conhecimento nos aprisiona.
E ao voltar aqui hoje, sabendo mais do que queria, sou um estrangeiro que partilha as minhas recordações. Mas sinto-me como regressado à minha outra casa de onde vou ter de partir antes sequer de ter tempo para mudar as cordas que me estalam dentro do peito.
No caderno negro que me acompanha mais que a respiração, tenho guardado entre poemas a seguinte frase “hoje abandono a montanha, amanhã o lobo espera-me”. A manhã seguinte tornou-me memória.
O lobo veio à montanha e viu que tudo era bom.
Nem vaidade nem vento que passa.
(deixa-me partir)
JoaoRui

Snow memoirs – I know these streets. The scent of the houses is familiar to me, the trees aren’t strangers to me and neither are the branches around me eyes. People are another story: their steps, their breathing – they are me even stranger to me than myself. Or had I not been in days not of today a son of the cold that comes down the slopes of this mountain. From the window of the house where now lives only my memory, silent, every passing day I watch the sun slipping out of my hands - and all that remains is the will to go on the trail of light. My father, who knows the rise of the day as well as I know the end of it says he lacks the horizon – he says that this one here, nested on the window ledge is a smaller child of contentment. He also misses the light. And then we fled, holding hands through roads that are even more transformed than I remembered - like twenty years ago (maybe more) back in a time when the snow was a chance of her children and my privilege. I went back to the fountain of the photographs that are sleeping beneath the dust of ages and returned to the smile of my brother with his fingers wrapped around flakes of ice. There is no measure for longing nor there is for the nostalgia of not being able to go back - it's just longing of the ignorance of how in quick snap of the fingers we become memory. More than a couple of years ago, my mother spoke to me of Camus’s “The foreigner” and of the isolation to which knowledge binds us. And to come back here today, knowing more than I wanted, I'm a foreigner who shares my memories. But I feel like I’ve returned to my other house, from where I have to leave even before I have time to change the strings that crackle inside my chest. In that black notebook I carry with me even more than breathing, I left between poems the sentence “Today I leave the mountain, tomorrow the wolf is waiting for me." The next morning turned me into memory. The wolf came to the mountain and saw that everything was good. Neither vanity nor passing wind (let me go). JoaoRui

janeiro 27, 2010

Lisboa em 3 actos (acto III)

Luzes, câmara, não se mexam. E assim permanecemos mudos em fracções de segundo à espera que nos arrastem a alma para dentro de uma caixa de onde espreita uma lente através da qual espreita outra alma que decidiu atrair a nossa para dentro de uma armadilha – e é sempre tarde demais para a trazer de volta. A fotografia agrilhoa a superfície das emoções às histórias que sob ela pulsam, mas de quando em vez o click da máquina coincide acidentalmente com a emoção e aí a alma não é nem roubada nem enganada: é antes seduzida – chama-se “a sedução da vaidade” ao momento em que ela tropeça no beiral dos lábios para nos abandonar o corpo.

Lisboa dos jardins. Aqui são quase tantos como as frestas dos muros por onde se pode espreitar o mar. Com o dia a ameaçar chuva mas a entregar-se em devaneios solares aqui andámos entre ramos mal partidos e clareiras bem iluminadas – à espera que dez olhos encontrassem o momento ideal para nos manter quietos sob o olhar da Rita, que olhava tudo como quem conhece o segredo da sedução.

Os antigos acreditavam que a alma era roubada pela fotografia; eu acredito que é o mar que a leva, mas a vida dá mais voltas que o sangue dentro do coração.

JoaoRui

Lisbon in 3 acts (Act III) Lights, camera, do not move. And so we remain silent in fractions of a second waiting for the soul to be lured into a box where lurks a lens through which lurks another soul who decided to attract ours into a trap - and it's always too late to bring it back. The photography shackles the surface of emotions to the stories that are pulsating beneath it, but from time to time the click of the machine accidentally coincides with the emotion and then, the soul is neither stolen nor deceived: it is seduced - it's called "the seduction of vanity "the moment when she stumbles on the edge of the lips to leave our body. Lisbon of the gardens. Here they are almost as many as the cracks in the walls through where you can peek at the sea. With the day threatening rain, but indulging in daydreams of sun, here we went between badly broken branches and bright clearings - waiting for ten eyes to find the ideal time to keep us quiet, underneath the eye of Rita, who looked upon it all as someone who knows the secret of seduction. The ancients believed that the soul was stolen by the photograph, I believe it is the sea that takes her, but life takes turns more turns than the blood inside the heart. JoaoRui

janeiro 23, 2010

Lisboa em 3 actos (acto II)

Não me canso de repetir: o Chiado é qualquer coisa… a luz baixa que antecede os primeiros acordes, os ouvidos que se sentem antes de pisarmos o palco…

E silêncio… nada me agrada mais que o silêncio de quem ouve e decide partilhar connosco esse momento raro. Thank you…

Ao final da noite, rumámos para as bandas de Benfica onde nos esperavam ainda mais ouvidos que à tarde. Lisboa. Tem de tudo – até silêncio.

Há uns anos escrevinhei umas quantas palavras acerca dele, num caderno comprado numa daquelas tabacarias pequenas e antigas – das que têm tesouros de outros tempos que outro eu de outra época não comprou. Não faço ideia do que é feito desse caderno nem sequer do que o silêncio me falava na altura. Aqui em Lisboa tenho sempre a impressão há sempre uma dessas tabacarias na rua seguinte e nunca sei em qual entrar para procurar o caderno que me vai guardar o silêncio. Desta vez foi diferente, veio até nós: este foi um daqueles dias compridos em que as emoções acompanharam cada pulsar do coração.

Thank you.

JoaoRui

Lisbon in 3 acts (Act II) I don’t get tired of repeating it. Chiado is something… the low light before the first chords, the ears that are felt before we step on stage… And silence… nothing pleases me more than the silence of who listens and decides to share with us that rare moment. Obrigado… At the end of the night we traveled to the sides of Benfica where even more ears were waiting for us than in the afternoon. Lisbon. Has it all – even silence. Some years ago I scribbled down some words about him, in a note book I bought in one of those old and small tobacco shops – of those that have treasures of other times, that another I of another season did not buy. I have no idea of what is of that note book nor even of what silence spoke to me then. Here in Lisbon, I always have the impression that there’s always one of those tobacco shops in the next street and I never know which to get in to find the note book that will keep the silence. This time it was different, he came to us: this was one of those long days where emotions followed each pulsating of the heart. Obrigado. JoaoRui

janeiro 22, 2010

Lisboa em 3 actos (acto I)

Logística. É tudo uma questão de logística. À porta do covil eram mais instrumentos do que o espaço para os levar; mais mãos na cabeça do que a arrumá-los. Mas afinal coube tudo - julgo que não caberia sequer mais uma pandeireta.

Chegamos à cidade sem tempo para a poder sentir. Lisboa é demasiado grande para se ver num só dia. É necessário um bom par de décadas para se conhecer metade e outro tanto para conhecer apenas um pouco mais. Então vamos ficar um pouco mais.

Na “Restart” houve tempo para estrear algumas músicas novas e outras mais antigas. Velhas amigas de seis cordas voltaram a partilhar o palco com o lobo. Há quanto tempo … fazem-me falta… pena não haver sempre espaço. Logística. É tudo uma questão de logística.

JoaoRui


Lisbon in 3 acts (Act I)

Logistics. It’s all a matter of logistics. Outside the den, there were more instruments than the space required to take them; more hands on the head than packing them. But in the end everything fit. I don’t think we could slip there even one more tambourine.

We arrive the city without time to feel it. Lisbon is too big to be seen in just one day. One needs a good pair of decades to know just half and just as much to know just a bit more. So we’ll stay a bit more.

In “Restart” there was time to debut some new songs and some older ones. Old six stringed friends shared the stage with the wolf one again. It’s been so long… I miss them. It’s a shame there’s not always enough room. Logistics. It’s all a matter of logistics.

JoaoRui

janeiro 19, 2010

Crónicas de Glasgow #2

© Sofia Silva, November 4th, da série Exaurir, 2009



© Sofia Silva, November 5th, da série Exaurir, 2009


Ouve-se que em Portugal um ano novo começou, mas neste lugar frio tudo custa mais a arrancar…

Volto e vou deslizando no gelo à espera do cenário certo, da luz suficiente, de um espaço que seja também um pouco meu ou a que eu consiga, pelo menos, chegar. Uma vez mais, os sonhos permitem encher os dias de esperança. Nos últimos tempos confesso que a família tem tomado conta da imaginação, suponho que resultado de andar a conviver com os álbuns de família. Acontece que as memórias que nunca existiram se começam agora a construir, com a liberdade de quem assegura conhecer os personagens e lhes dá espaço.

Muito disto é saudade, mas acrescento que muito deste espaço onírico é aliado de uma procura angustiante por uma ideia de uma fotografia, uma ideia de um projecto, uma ideia de algo que possa extravasar as minhas barreiras, traduzir o corpo da minha carne e falar por mim.

Se muita coisa acontece quando laureamos o trabalho para fora do país, uma delas é a certeza de que há trilho mais além. Se o que levamos na mala vale, o que podemos acrescentar também, mas nada será mais precioso que a ideia de uma bagagem ausente que possamos inventar.
Sofia Silva
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I hear a new year started in Portugal, still in this cold place everything seems harder to initiate…

I return and get sliding above the ice waiting for the right scenery, for enough light, for some sort of space I can call my own or where I can at least arrive. Once again, dreams allow me to fill the days with hope. These last days family took over my imagination, probably as a result of being around family albums. It so happens that inexistent memories begin to have some shape, with the same freedom one gives to the character one trusts and recognizes so well.

Much of this is saudade, though I add that a lot of this oneiric space is an ally of an anguish demand for an idea, for a photograph, for a project, something that could go beyond my own boundaries and translate the body my flesh is made of and speak for me.

If a lot happens when we take our work abroad, one thing is for sure the reiteration that there’s a path to walk beyond. If what we carry in our baggage is worth it, so will be whatever we can add to it, still nothing will be more precious than the idea of an absent luggage we might come up with.
Sofia Silva

janeiro 18, 2010

Breyner 85

De novo no Porto. As ruas parecem-me mais familiares – as estradas apertadas contra os prédios como se fora contra a vontade destes e só aos pés fosse permitido caminhar entre eles. O Breyner 85 é uma casa antiga com um tecto a perder de vista e um piano ao canta da sala à espera… à espera… os pianos parecem estar sempre à espera… são irmãos pacientes. Julgo que já aqui estive, que conheço a madeira das portas e ela soubesse os meus segredos. Os corredores tornam-se mais estreitos como se me quisessem devolver aos segredos. E crescem degraus de cada vez que subo as escadas, ou são os pés que ficam mais pesados de reencontrar passos antigos e gestos que não são de agora. Há qualquer coisa particularmente comovente nas casas antigas. E nunca é acerca do presente, é sempre sobre o passado. Então quando passo a entrada é como encontrar a minha vida inteira. A minha mãe falou-me do responso de Stº António; falou-me também que coisa perdida que atravesse água já o responso perde a autoridade. Quando atravesso um rio, lembro-me disto e que provavelmente aqui perdi alguma coisa, ou então que foi na outra margem – volto sempre uns metros atrás na ponte e olho as margens à procura de passos da coisa perdida. Mas nada… ainda não a encontrei, nem ela a mim.

JoaoRui


Again in Oporto. The streets seem more familiar to me - the roads pressed against the buildings as if it were against their will and only feet could walk between them.Breyner 85 is an old house with an out of sight roof and a piano in the corner of the room waiting ... waiting ... pianos always seem to be waiting ... they are patients brothers. I think that I’ve already been here, that I know the wood of the doors and she knows my secrets.The hallways become tighter as if they wanted to return me to the secrets. And each time I climb the stairs the steps seem to grow, or maybe the feet become heavier rediscovering old steps and gestures that are not of today. There is something particularly poignant in old houses. And it is never about the present, it’s always about the past. So when I cross the entry it’s like finding my whole life. My mother told me of the prayer of St. Antonio; she also told me that the lost thing that goes over the water, the prayer loses its authority. Whenever I cross a river, I remember this and that I probably lost something here, or maybe it was on the other side – So I walk back a few yards over the bridge and look at banks of the river looking for the steps of the lost thing. But nothing ... Nor I have found her, nor she has found me.

JoaoRui

European Tour starts... now!!

Breyner 85, Janeiro de 2010


janeiro 01, 2010

Bom dia, 2010!!!

Temos um pé ainda a levantar voo de 2009 e o outro já a aterrar em 2010, é tempo de balanços e de promessas, de recomeços e de esperança.

2009 foi um ano cheio para nós, com o lançamento e promoção do álbum “Like the Wolf”, a gravação do vídeo do tema “Red Pony” e a celebração do 10º Aniversário da Banda. Foi ano de conhecer muito boa gente e de estreitar laços, ano de esticar também a corda, às vezes, para testar os nossos limites pessoais…
Mas 2010 não lhe vai ficar atrás! Tem vindo a ser cozinhado em banho-maria há já algum tempo, por isso é esperado por todos com extremo optimismo. E é com este espírito que o novo ano nos chega às mãos, de malas feitas e passaporte pronto a ser estreado, com a esperança de novas terras, novos amigos, novos palcos, e a bússola da música sempre a nortear os nossos gestos. Há ainda muitas surpresas na manga, mas cada uma será revelada e partilhada convosco a seu tempo. ;)

Hoje é dia de dizer "Bom dia!” ao novo ano e de brindar com os amigos!

Por isso, a ti, que sempre vens aqui ler os nossos textos e nem te conhecemos; a ti, que ouves a nossa música; a ti, que te apaixonaste pela nossa música; a ti, que sempre nos apoias; a ti, que não perdes um concerto; a ti, que nunca perdes um concerto e ficas sempre na euforia da primeira fila; a ti, que nunca perdes um concerto e ficas sempre na timidez da última fila; a ti, que compreendes que a música é a nossa vida; a ti, que és inspiração; a ti, que és o amor; a ti, que és a saudade; a ti, a ti e a ti, um imenso OBRIGADO e o desejo sincero de um grande Ano Novo!!!


Bom dia, 2010!!! :D
a Jigsaw

dezembro 25, 2009

Feliz natal, Timoneiro

Se ainda é de regressos que falo, hoje é um dia de regressos. A esta hora as estradas voltam a encher-se de lágrimas secas que voltarão a desabrochar daqui a um ano. É dia de ouvir histórias que já conhecia - de quando não tinha a consciência delas mas já delas era eu parte. O meu avô delicia-se a contar as duas, cinco histórias que eu protagonizei. E eu não me canso delas; como se de cada vez que as contasse regressássemos os dois um bom par de anos atrás – e nisto os meus olhos nos dele vão desenhando os contornos do que tenho a certeza que vi, mas do qual não me lembro. E hoje voltamos lá. A uma altura em que aquele abraço forte e bom ainda lá estava e eu, se adivinhasse o fim dele, esquecia-o. Abençoada seja a capacidade de esquecermos o peso dos dias - ou na falta do esquecimento, de nos distrairmos o tempo suficiente para permitir o sorriso.

Há um ano atrás perdi um amigo. Não fora a bênção do esquecimento, nem forças me restavam para respirar. Não me sentei ao lado dele para que a memória não me roubasse o coração - se pudesse escolher o dia que seria a morada da minha memória, teria que voltar tantas páginas do calendário quantas há as que se foram amontoando nos meus ombros. E talvez à chegada… quisesse apenas partir.

A esta hora o covil está vazio. Os meus irmãos partiram cada um para seu lado. É uma caçada de lágrimas. A esta hora, a madeira das guitarras encolhe-se para envolver as cordas, as teclas do piano tornam-se cinzentas de tão próximas, a resina no arco do violino desvenda segredos do frio e a pele do bombo fica mais grave. A esta hora cada uma dessa parte de nós fica guardada. É uma caçada de lágrimas.

Feliz natal, Timoneiro.

JoaoRui

dezembro 22, 2009

Ultimos uivos antes do Natal

O frio parece ter vindo para ficar. Este foi um fim de semana de costas voltadas para norte e peito aberto em direcção ao sul. Encontrámos caras conhecidas, mas na maioria desconhecidas que vieram receber o Lobo. O ultimo uivo antes do Natal. Quando regressarmos será para partir...
Sentado à janela do décimo segundo andar que dava para as bandas do mar, observei a chegada do frio. A minha mãe falou-me em promessa de neve.
Mas não, era apenas frio, talvez gelo ou vento - sussurrou ao meu ouvido que era memória de infância; de décadas das quais guardo os meus retratos imperfeitos. O dia a estender os braços por cima de um manto de neve - os passos mais nervosos que ilusão e o coração a ansiar por um retrato.
Felizmente não há fotografias para avivar a memória. Assim não tenho provas instantâneas desse momento - não sei se os atacadores dos sapatos estavam desapertados, se o cabelo estava despenteado ou se o cenário era menos idílico do que recordo. Assim a memória alimenta-se de si mesma e julgo que a cada ano que passa sinto essa felicidade mais distante e ainda mais perfeita. Os passos em constante tropeçar ao lado do meu pai, num sorriso que de uma orelha adivinhava a outra, o sorriso da minha mãe numa camisola de gola alta e o meu irmão a rir ao meu lado.
E quanto mais tento recordar, menos nítida é a imagem e mais permanente se torna a emoção. Acho que vestia um casaco azul e umas botas castanhas, ou então era ao contrário: as botas eram pretas e o casaco era branco, ou então era ao contrário: as botas eram invenção e o casaco era azul, ou então era ao contrário: as botas eram invenção e o casaco não me recordo.

Mas afinal, quanto é que realmente guardamos da verdade?


JoaoRui

dezembro 15, 2009

10Anos

Eternos regressos. Regressámos à estrada para celebrar uma década de caminho – ou de sonhos. O caminho não é certo, nunca o foi. Mas fomos sempre em frente, como se não houvera outra maneira, guiados por aquilo que gosto de chamar “a certeza da luz”. No dia doze, tal como há dez anos atrás, regressámos ao principio do desalinho.
Mas dez anos não são assim tantos. É tudo uma questão de perspectiva. O que foram dez anos na grande muralha da china… uns metros apenas, ainda nem metade estava completa – qual metade? É um pouco como nós. Ainda estamos na antecâmara do sonho e ainda não conhecemos o peso dos degraus que vamos construir daqui a dois três cinco, dez anos. O que vai ficando para trás é apenas memória do que fomos. Este momento já é memória e passado.
De certo que os incansáveis obreiros da muralha celebraram se não os dias, então os metros de muro conquistado ou à ausência dele. No dia seguinte retorna-se à argamassa e aos esboços do futuro para se voltar, dali a alguns anos ou dias ou segundos, a celebrar as vitórias onde sem a vontade haveria apenas certeza de vazio.

A vida vai sempre trocar-nos as voltas.

Ao fim deste tempo todo descobri que o que define as pessoas não é a maneira como se levantam depois da queda, mas sim o que dizem quando vão a cair. Então, se o futuro é desconhecido e o presente o último estertor do passado, há que medir bem todas palavras para que estas não se tornem amantes do silêncio.

I’ve got them blues boys!
JoaoRui

Thank you!

Obrigado a todos os que participaram e que vieram celebrar a nossa primeira década. Graças à rubrica “Toca aquela” acabámos por apresentar músicas que já não tocávamos há cerca de 5 anos, como o caso do “Random Lovers” e outras que nunca foram sequer tocadas ao vivo, como o “You’re The One I Want The Most”. Ainda houve tempo para se partir uma harmónica e para regressar ao palco para um encore.
A todos os que participaram, aos que vieram ver o lobo e aos que queriam vir mas não puderam, THANK YOU!
Cá está a set list do concerto:
01 Random Lovers
02 My Kindness
03 You’re The One I Want The Most
04 New Man Waiting
05 Of Those Who Know You’re Right
06 Like The Wolf
07 Leave If You Can
08 A Little Story
09 My Blood
11 Red Pony
12 Lion’s Eyes Louder
13 Dreams & Feathers
14 Leap Of Ignorance
15 Crashing Into The Harbour
(Encore)
16 His Secret











novembro 16, 2009

Desafio ' Toca Aquela '

Festa é festa! E a festa dos 10 anos a Jigsaw vai ser vossa, pessoal. Não há concerto que dêmos que não venham no fim ter connosco dizer “Oh! Queria tanto que tocassem o tema x”. Por isso, desta vez iremos tocar o tema x, o tema y e até o tema w, vocês mandam! O desafio que vos colocamos é o seguinte: oiçam atentamente toda a discografia editada a Jigsaw e enviem uma lista com 5 temas que gostariam de ouvir. Os 10 temas mais votados farão parte da nossa set list do concerto de aniversário. Mas para quê escolher a set list se não vão à festa? Perguntam vocês. Pois perguntam mal! Porque quem participar neste desafio ganha automaticamente 1 convite para o Concerto-Festa de Aniversário! Ora lá está, toca a participar. Deixem a vossa proposta como comentário a este post ou enviem-na para o nosso mail.

Nota: Ainda que não seja exactamente original, a expressão “Toca aquela!” é já um ex-libris do nosso amigo Nuno Ávila, cuja amizade nos acompanha há 10 anos. A ele, portanto, o nosso brinde!

Resultados do Passatempo "10º Aniversário a Jigsaw"

Respostas correctas:

1. 28 de Novembro de 2008

2. Um barco

3. Gito e Miguel dos Soaked Lamb

4. Contrabaixo

5. Melódica

6. Torres Novas

7. Caixa de Pandora

8. “Mais feelling!”

9. Lua cheia

10. “White Christmas”, Bing Crosby

11. Refere-se à sua voz.

12. Faz malabarismos com as baquetes.

13. 60 anos.

14. Dostoyevsky


Pontuação e Prémios:

1

Luís

14 pontos

Pack 10 anos

2

D. Resende

13 pontos

Discografia + Convite Duplo

3

Cátia Gusmão

13 pontos

Discografia + Convite Duplo

4

Sara Aguiar

13 pontos

Discografia + Convite Duplo

5

Solon

12 pontos

Pack Singles + Convite Duplo

6

Ulis

11 pontos

Pack Singles + Convite Duplo

7

Mariana Silva

10 pontos

Pack Singles + Convite Duplo

8

Zoon

8 pontos

Convite Duplo

9

Gonçalo Moura

6 pontos

Convite Duplo

10

Gustavo

3 pontos

Convite Duplo


Para receberem os vossos prémios, enviem os vossos dados (nome, morada e nº de telefone) para: ajigsawmusic@gmail.com

Muito obrigado a todos os que participaram, parabéns aos vencedores ! Fica desde já encontro marcado para o dia 12 de Dezembro no 'Salão Brazil'. Fiquem atentos ao blog pois haverá mais passatempos e novidades em breve!

Cumprimentos da alcateia ! aaaaaaauuuuuuuuuuuuuuuuuu